quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Conversando com Pessoa

     “Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?”
Fernando Pessoa


     Acho que o que fere a maioria das pessoas é esse sentimento exagerado de se querer sentir mais do que se pode. Querer perpetuar-se em achismos e em supostas imposições que são forçadas ao amor. Porque amar sempre foi, e sempre será, tão simples quanto a mais simples das coisas. Ainda que amar seja tão difícil.
     Fere assim como tudo que não se conserva passageiro. Porque esse passageirismo que é atribuído ao amor se garante sempre por demais falho. O amor em si nunca foi, nem nunca será, passageiro. Passageiros são os embargos que se criam pra evitar o profundo desespero de uma entrega completa ao amor que espreme, aguça, fere e gruda.
          É incrível como tudo que se reserva à existência possui caráter tão provisório. Minhas conquistas e meus limites são limitados por um plano finito demais pra que se tenha notória liberdade de ação. O caráter tão passageiro fere sem pedir licença nenhuma.

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